[...] É engraçado como as coisas funcionam, há dias tenho sentido essa represa dentro de mim transbordar, palavras fluem pela minha mente, tudo chega na ponta da lingua, mas as palavras parecem estar cada vez mais distantes. Eu tenho muito dentro de mim, mas essa inundaçao insiste em permancer dentro. Sao muitos pensamentos amontoados e realidades inventadas que eu coleciono e quando a luz tende a se esvair a mente apita a todo vapor, as maos que acariciam o papel, as teclas, o lapis, tudo que eu tenho pra dizer, pra desaguar, parece repetido de mais, infimo demais...
Nesse atropelar dos dias, eu tenho formulado teorias e me apaixonado por coisas inimaginaveis. Eu me enxerguei de verdade e tive pena do que vi. Eu conheci novas pessoas, e desconheci outras. Tentei interpretar a cofusao que é essa realidade e tenho visto o quao falho somos, sou. Eu tentei confortar aqueles ao meu redor e tentei me confortar pelas coisas infimas que perdi. Descobri que sou mesquinho e enormemente egoista. Tenho manias futeis e entendi que a maioria das minhas frustraçoes nao valem a pena pois sao frutos de uma ansiedade mentirosa, que diz que eu devo me preocupar com algo que eu nao posso controlar, que eu nao posso prever, ela me fez ter medo de crescer e de viver. Fui transformado. Eu me tornei o proprio mito da caverna de platao.
Mas apesar de tudo isso, apesar dos sufocos, eu entendi que eu nao estou só, nunca estive. Tenho aprendido a falar mais com Ele e isso é tao gratificante. Tenho procurado conversar mais com ele do que simplesmente dizer as mesmas palavras todas as noites, eu tento me imaginar com ele, e eu realmente nao gostaria de conversar com uma pessoa que só repete as mesmas palavras nos encontros diarios. Eu sei, as frases estao todas desconexas, este texto todo está, mas a liberdade de poder tentar deixar escapar um pouco dessa enchente tem me acalmado mais.
Apesar dessa pequena saudade bater dentro de mim, tudo mais está calmo. Nao mais do passado, nao mais daquilo que eu nao posso acalçar, mas da partida de certas pessoas. Pessoas que eu nem mesmo conhecia direito e que de forma estranha me causaram uma saudade enorme. Pessoas que eu realmente sinto que tinham infinitamente mais para dar. E vendo tudo isso, sentindo tudo isso. Eu tenho me perguntado todos os dias porque muitos outros tratam tao mal dessa vida, escolhem o que há de pior e sofrido, quando muito poderia se ter. Pessoas maravilhosas e com potenciais incriveis, que infelizmente escolheram ser pequenas, quando na verdade eram gigantes. Eu vejo isso, e isso me parte. As pessoas deveriam ser todas felizes, nao é? Entao porque tantas escolhem aquilo que as mais diminuem e a fazem sofrer? Porque esse masoquismo? Eu queria realmente entender, mas eu sei bem, que tem certas coisas nao tem explicaçao, e se tem sao complicadas demais para se aparender em umas poucas horas, dias, meses, anos, vidas.
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